As fotos newborn que eu gostaria de ter

Toda vez que eu vou fotografar um bebê eu me lembro de quando eu me tornei mãe, das fotos newborn que eu queria ter feito e das fotos que de fato eu tenho dessa época.

Meu filho já fez 9 anos. N-o-v-e. Nem sei como – parece que ontem ele era um recém-nascido, eu pisquei e estamos aqui, nesse mundo de partidas de Uno e jogos de videogame de Lego.

(Eu sou a mãe que gosta mais de jogar videogame de Lego do que de brincar de Lego de verdade. Pode me julgar.)

De tempos em tempos eu me pego revendo fotos de quando ele era um bebê de poucas semanas e ainda cabia num sling. É difícil não sentir essa coisa mista que é sorrir, olhando essas fotos em contraste com a pessoinha tão autônoma que ele é hoje, e ao mesmo tempo sentir uma tristezinha de saudade, por ter passado “tão rápido”. É o que dizem, né: os dias são longos, mas os anos são curtos.

De tempos em tempos eu me pego revendo fotos de quando ele era um bebê de poucas semanas e ainda cabia num sling. É difícil não sentir essa coisa mista que é sorrir, olhando essas fotos em contraste com a pessoinha tão autônoma que ele é hoje, e ao mesmo tempo sentir uma tristezinha de saudade, por ter passado “tão rápido”. É o que dizem, né: os dias são longos, mas os anos são curtos.

Quando ele nasceu, vou confessar: eu tinha grandes planos, incluindo muitos planos fotográficos ambiciosos – como uma lista de fotos newborn que eu queria produzir enquanto ele dormia, com cenários de tecido colorido montados em volta dele, na cama.

Quando eu olho pra essa Carla do passado, recém-mãe e cheia de grandes planos pra muitas sessões fotográficas diferentes, eu penso duas coisas.

A primeira eu quase não consigo nem pensar, porque começo a rir, né, gente: tadinha, que inocente aquela pessoa que eu era. Eu não tinha noção nenhuma do que seria o puerpério (acho que ninguém tem, até viver, né?), e claro que é diferente pra cada mãe, mas se tem uma coisa universal, essa coisa é: a gente não tem tempo nem pra comer na hora que quer, tomar banho na hora que quer, lavar o cabelo… vai ter tempo pra ficar produzindo cenário fotográfico? A melhor coisa que dá pra fazer quando o bebê dorme é dormir também (ou ir no banheiro fazer xixi, mas isso só se não tiver risco de acordar o bebê – é sempre uma escolha difícil).

(E se você ainda não se convenceu de como eu era inocente, eu tinha outros grandes planos pra licença maternidade também, coisas como aprender a programar em Flash e reler 2666, do Bolaño – então, sim, tá liberado, pode rir junto comigo dessa Carla do passado.)

A segunda coisa que eu penso é que sim, essas fotos seriam fofas, claro. Seriam bonitas e criativas e divertidas e tudo mais. Mas... posso falar? Hoje eu não me arrependo de não ter feito esse tipo de fotos newborn; sinto zero falta de ter fotos assim – porque hoje eu dou valor pra fotos que contam histórias reais, e essas fotos que eu queria fazer não representariam n-a-d-a do que foi nossa vida nas primeiras semanas, não me diriam nada sobre quem ele era como bebê ou sobre quem eu era como mãe. É o tipo de foto linda, mas que não me conectaria com nenhuma emoção ou memória real, e não estaria nas paredes da minha casa hoje, num álbum ou numa caixa de fotos.

Bom, em resumo: eu fotografei quase nada nos primeiros três meses (por motivos de um bebê nos braços, peitos pingando leite, sono interrompido a cada 2 horas... o pacote completo); quando fotografei, eu não apareci nas fotos; e não fui atrás de um fotógrafo  pra fazer porque na época eu não conhecia ninguém que fizesse fotos newborn diferentes, que não fossem aquela coisa do cestinho e pose de bebê dormindo.

Mas... eu tenho algumas fotos aqui que – gente! Como eu queria ter mais delas. E na época eu quase apaguei, não ligava pra essas fotos porque elas são tão, hum, imperfeitas. Algumas foram selfies, outras foram amigos ou familiares que fizeram, todas com celulares (e... bem, celulares de 2011, né?). Essas fotos, que eu quase apaguei? São as que eu mais amo daqueles primeiros três meses, mais do que jamais amaria aquelas fotos newborn lá, que eu tinha planejado fazer e não fiz.

É incrível pensar que nos três primeiros meses do Gael eu passei quase 100% do tempo com ele grudado em mim, mas temos menos de 10 fotos juntos.

Hoje, o que eu queria ter daquela época não eram as fotos montadas e perfeitas... eu queria era mais fotos assim, que acabaram, sem querer, registrando nossa história e nossa vida real – bom, vida real com recém-nascido não vai muito além de amamentação, troca de fraldas, banhos, passeios, colo e tentativas frustradas de trabalhar ou fazer algo em casa com um bebê no sling hahaha. Aliás, acho que por isso, na época, não dei muita importância; eu não sabia que ia valorizar tanto essas imagens hoje.

Eu não sei o que veio primeiro, não sei se valorizo essas imagens porque é o caminho que escolhi na minha fotografia ou se escolhi fazer fotos newborn assim pra outras famílias por ver beleza nisso. Talvez as duas coisas tenham acontecido juntas, eu realmente não sei. Mas sei que toda vez que vou até a casa de uma família com um bebezinho, eu sinto a obrigação de honrar esses pequenos momentos da rotina e abraçar a vida real – há quem diga que é abraçar a imperfeição, mas eu não vejo imperfeição nisso, não... vejo beleza mesmo.

Eu e Gael, com 12 dias de vida, numa foto toda "imperfeita" que eu amo. Até hoje ele gosta de deitar desse jeito no meu colo quando está com sono. ♥

Se você caiu aqui porque está buscando por fotos newborn ou de família e vê sentido e beleza na fotografia do cotidiano e na vida real, você pode conhecer um pouco do meu trabalho aqui, e também me escrever no oi@carlaraiter.com.br. Vou adorar conversar com você e fazer fotos que farão parte da história e da herança visual da sua família.

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